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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

EVENTO: 24ª BIENAL DO LIVRO - 03/09/16

Eu, juntamente com alguns amigos e amigas recebemos o convite da querida Michele Santos para levar os nossos livros para expor no estande da Editora APMC, com o seu "Toda Via,", na 24ª Bienal do Livro, dia 03/09.

Por mais que falemos em trabalho independente, é com este tipo de atitude que fortalecemos a cena poético-literária marginal, construímos nossos laços e criamos nossa poesia. É algo que inspira.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

TODA VIA, - MICHELE SANTOS

"Toda via," é o primeiro livro da Michele Santos que, assim como muitas outras artistas e guerreiras independentes, é uma voz que (r)existe na periferia.

"Se eu fizesse poesia
Escreveria pássaros

Poemas são todos
Tentativas de voo"

terça-feira, 7 de junho de 2016

ESCRITÓRIO DE PENSAMENTOS - MANO RIL

Escritório de Pensamentos é o primeiro livro do Mano Ril, um pensador, filósofo da quebrada. A obra é composta por diversos contos e poemas sobre o cotidiano na periferia. São histórias tristes, felizes e de resistência.

Posso garantir que, assim como o Jefferson Santana, depois desta leitura, também me tornei mais pensador.

"Escrevo para me sentir melhor, e talvez faça outro alguém melhor também. Quando decidi publicar o Escritório de Pensamentos queria ele todo regrado com índice e capítulos, mas qual pensamento é assim? Esse pensar não está relacionado a grandes teorias que mudará o mundo, talvez mude apenas 1, o meu. E se você sentir, que mude o seu mundo. Até aqui tem um mundo sendo modificado, não é em todas as esquinas que encontramos um favelado que ouse publicar um livro com espaços para demonstrar amor além dos sentimentos de revolta e ódio. Simples, direto e reto. Assim é este livro, distanciando-se da busca da genialidade querendo somente ser compreendido nos extremos de cada um que folhear estes pensamentos. Então, bem-vindo a esta bagunça que são meus pensamentos."

quinta-feira, 14 de abril de 2016

TRAILER - GRAJAÚ EM FOCO

O documentário faz um sensível recorte da chamada cena poética na periferia.Produzido pelo coletivo Sarau do Grajaú, com apoio do VAI, apresenta coletivos e artistas do bairro falando de suas produções, dores,sonhos e inquietações.

Onde houver espaço, onde formos convidados estaremos lá compartilhando com muita alegria.

É a periferia contando sua própria história!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

SOBRENOME LIBERDADE @ RELICÁRIO ROCK BAR - 07/04/16

"E quando a gente acha que não dá pra ser mais lindo junta, Wesley Barbosa com o Livro - O Diabo na mesa dos fundos, Luiz Semblantes com lançamento do CD - Floresça e Mel Duarte com o livro - Negra nua crua, lindo demais."

Fotos por Alessa Melo





























segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

EVENTO: 1ª FEIRA DE LIVROS DO COLETIVO LIVROS AO VENTO @ ESPAÇO COMUNIDADE - 23/01/15

Dia 23/01/16 participarei de uma feira de livros que o Coletivo Livros ao Vento está organizando no Espaço Comunidade. Abaixo um texto sobre a proposta do grupo:

"Este evento tem como objetivo a inclusão sócio cultural periférica atraves da leitura, bem como promover os autores independentes, poetas marginais ou ainda editoras que necessitam de subídios de editais para que possam lançar as obras.

Buscamos através desta feira dar visibilidade aos escritores que quebrada bem como apresentar a comunidade um universo de interação com a obra e seu autor.

Além de expor as obras, para distribuição ou venda, de acordo com o critério de cada, teremos mic aberto para que os autores possam falar sobre seus trabalho e como foi desenvolve-los, quais foram as dificuldades e é claro utilizar-mos disso como base para levar-mos à Secretaria de Cultura e Educação:

- HÁ PERIFERICOS QUE ESCREVEM E ESCREVEM BEM E PORQUE HA ESSA ESCACEZ DE INVESTIMENTO EM NOSSAS OBRAS?

- HA PERIFERICOS QUE QUEREM LER, NECESSITAMOS DE MAIS ESPAÇOS PÚBLICOS DE LEITURA NA PERIFERIA!"

DIA 23 de janeiro (Sábado) às 14h, no Espaço Comunidade - Rua Domingos Marques, 104 - Jardim Monte Azul


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

quarta-feira, 20 de maio de 2015

REALIDADE DAS ESCOLAS NA PERIFERIA É TEMA DE LIVRO DE LITERATURA MARGINAL

Te Pego Lá Fora, de Rodrigo Ciríaco, é título do selo editorial “Literatura Marginal DSOP”, dedicado a escritores e obras que tratam de temáticas da periferia

Um choque de realidade desde o primeiro parágrafo do primeiro conto. Sem pudores ou meias palavras, Te Pego Lá Fora põe o leitor em contato com a vida dura das crianças e jovens das periferias, algo que quem está de fora muitas vezes prefere não enxergar. Transporta-o por meio da crueza das narrativas e da linguagem marcada pela oralidade cotidiana, a um universo escolar opressor e desencantado. A obra de Rodrigo Ciríaco foi lançada pela Editora DSOP.

No retrato de um beligerante ambiente escolar, composto por trechos das histórias pessoais de seus personagens e do cotidiano de alunos e professores, o autor explora a versatilidade formal que vai do microconto – alguns com apenas uma ou duas frases – à dramaturgia, passando por narrações em primeira pessoa e outras, até mesmo cômicas, estruturadas em diálogos. A obra é engenhosamente dividida em estações do ano – verão, outono, inverno e primavera –, o que gera uma leitura vertiginosa, potencializada pelo ritmo acelerado das narrativas, que expõem problemas centrais do Brasil contemporâneo, como preconceitos, fome, analfabetismo funcional, exploração de menores e exclusão.

Fica claro também, em Te Pego Lá Fora, o desafio de educar e, principalmente nos últimos contos, o papel da literatura nesse contexto. Como diz Ferréz em sua apresentação do livro, o “especialista em conflito e em sobrevivência” Rodrigo Ciríaco “faz da palavra outra arma de luta para a melhoria, não individual somente, mas também do coletivo”.

O livro é o segundo título do selo editorial “Literatura Marginal DSOP”, todo dedicado a escritores e obras que tratam de temáticas da periferia, e coordenado pelo romancista, contista e poeta Ferréz – um dos pioneiros desse movimento, que constitui um fenômeno e forte instrumento de manifestação cultural. O primeiro foi Palestra Lágrimas Futebol Clube, de Marcos Teles, apresentado em agosto na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

“Te Pego Lá Fora tem uma potência dramática e literária que faz tremer os conceitos e esperanças do leitor. Para além do literário, é um livro de alta importância sociológica e antropológica”, ressalta Simone Paulino, diretora editorial.

O autor

Nascido e criado na zona Leste de São Paulo, Rodrigo Ciríaco é educador, escritor, editor, ativista cultural, traficante literário, e ainda, do tipo faz tudo, daqueles “pau-pra-toda-obra”. Gosta de viajar por meio da literatura, já plantou árvores, teve uma filha, Malu, e publicou 100 Mágoas (2011) e Vendo Pó...esia (2014). Participa há quase dez anos de alguns dos movimentos mais ativos e importantes da cultura contemporânea brasileira: a literatura marginal e os saraus da periferia. Desde 2006, coordena atividades de incentivo à leitura, produção escrita e difusão literária, principalmente dentro de escolas, com o projeto “Literatura (é) Possível”, do qual nasceu o “Sarau dos Mesquiteiros” (sarau da molecada), as edições “Um Por Todos” e o concurso literário “Pode Pá Que É Nóis Que Tá”, voltado para jovens e adolescentes da rede pública em São Paulo.

Sobre a Editora DSOP 

Após sua consolidação como pioneira e referência na área de didáticos e paradidáticos de educação financeira, a Editora DSOP decidiu trazer para seu público infantojuvenil obras que discutem temas que vão além das necessidades materiais, abordando o universo dos sonhos imateriais. O objetivo é criar um catálogo de jovens autores com reconhecida atuação no mercado editorial, contribuindo assim para fomentar o interesse dos leitores pela produção literária contemporânea.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

SARAU DO GRAJAÚ: “MELHORAMOS NOSSA POESIA E A POESIA MELHORA A GENTE”

O sarau acontece mensalmente no bar do Havaí, um time de futebol de várzea 
com mais de 30 anos de tradição (Foto: Divulgação/ Sarau do Grajaú)

Por Thiago Borges

Em seus 47 anos de vida, Daniel Alexandrino já morou em 12 endereços diferentes mas fincou raízes no Grajaú, onde está há apenas cinco anos.

“A diferença está no momento de vida em que vim para o Grajaú, com muita carência de tudo”, observa ele, que se mudou para um barraco emprestado por um amigo na região após quase ser despejado de uma kitnet no centro, onde morava. “Aqui, as coisas começaram a acontecer”.

Com a intenção de ficar o tempo necessário para se reerguer, Daniel se surpreendeu com a boa recepção e as amizades que construiu. “O Grajaú é altamente poético, tem sua sensualidade”, conta.

Inebriado por essa “poesia territorial”, desde janeiro de 2014 Daniel Alexandrino e sua companheira, Edilene Santos, organizam o Sarau do Grajaú.

É sobre esse trabalho que vamos falar em mais uma reportagem do “Cultura ao Extremo”, projeto realizado com apoio do programa Agente Comunitário de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo que tem o objetivo de mapear e visibilizar as manifestações culturais no Extremo Sul da cidade.

Daniel Alexandrino nasceu no bairro da Pedreira, zona Sul de São Paulo, e participou de um grupo de teatro durante 14 anos. Se afastou dos palcos, assumiu outras responsabilidades na vida e começou a trabalhar como cinegrafista.

“A vida toma outros rumos, a gente se casa, tem filhos, mas continua com vontade de fazer essas coisas, né?”, diz ele.

Frequentadores da Cooperifa e ajudantes na organização do Sarau da Ademar, Daniel e Edilene queriam fortalecer a cena cultural no bairro que os acolheu.

“A gente já conversava muito com outros poetas, artistas, mas queria conversar também com a população [que não tava tão envolvida nessas ações]”, lembra Daniel.

Durante uma cervejada no bar do Hawaí F.C., um time de futebol de várzea da região com mais de 30 anos de tradição, Daniel fez uma proposta à dona Nilde, proprietária do estabelecimento.

“Disse que queria fazer um sarau ali, e ela abriu um sorriso e perguntou: ‘o que é sarau?’. Pronto, era ali que tinha que acontecer”.

Em meio a boleiros, partidas de dominó e gente cambaleante mas interessada na poesia, em janeiro de 2014 aconteceu o primeiro Sarau do Grajaú com ajuda dos poetas Isaías e Juninho. Hoje, os artistas Daniel Brito, Victor Hugo Santos e os integrantes do grupo OsRetirante completam o grupo.

“Parece que, ao usar ‘Grajaú’ no nome, conseguimos compilar toda a efervescência cultural”, diz Daniel Alexandrino.

De escritores antigos a novatos que descobriram sua veia artística, o encontro que acontece todo último sábado de cada mês abre espaço para fãs interessados em declamar Roberto Carlos a artistas que recitam versos para a mulher amada.

“A gente não tem objetivo de mudar o mundo com o sarau, mas acredito que o sarau tem o poder de mudar a geografia das coisas e fazer uma intervenção na vida das pessoas”, completa.

O primeiro sarau foi feito com microfones emprestados pelo grupo de rap Expresso Perifa e equipamentos de som trazidos do Sarau da Ademar.

Mesmo sem apoio do poder público, o coletivo quer ampliar o projeto com exibição de filmes, realização de debates e estudos, mas esbarra na falta de pessoas para ajudar a organização.

Auto-declarados como um movimento literário de esquerda, Daniel e os companheiros querem politizar e ampliar o acesso do público à informação, à história do bairro e da própria vida para interferir no cotidiano da cidade e do País.

“É importante lembrar que o objetivo do sarau é exercitar a beleza das pessoas. Não vamos matar a fome ou dar casa a ninguém, mas fazer com que olhem uns para dentro dos outros”, ressalta Daniel. “Vamos melhorando nossa poesia e a poesia vai melhorando a gente”.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

ESPERAR EDITORA É UTÓPICO, DIZ AUTOR RECORDISTA EM LIVROS PUBLICADOS

 
Autor de 1.100 livros, Ryoki Inoue decidiu publicar ele mesmo suas obras.
Para editor, livros independentes têm mercado grande e segmentado.

O escritor mais prolífico do mundo cansou de esperar pelas editoras. Autor de 1.100 títulos e reconhecido em 1993 pelo Guinness como o homem que mais escreveu e publicou livros em todo o planeta, Ryoki Inoue já viu seu nome em obras lançadas pelos maiores grupos editoriais do país, mas se sentiu desvalorizado, desistiu e resolveu publicar ele mesmo suas próximas obras, criando uma empresa para fazer isso de forma independente. “O autor é apenas um ninguém para as editoras”, disse o escritor, em entrevista ao G1.

(Série Como publicar o primeiro livro. A Bienal do Livro do Rio acontece até 11 de setembro e movimenta o mercado literário. O G1 publica nesta semana uma série de reportagens sobre o processo para publicar um livro no país.)

“Cansei de ficar esperando prestações de contas. E também cansei de esperar que essas grandes editoras fizessem alguma coisa do ponto de vista de divulgação e marketing”, disse. Em sua empresa, a Ryoki Inoue Produções, o escritor diz ter um controle maior do processo de publicação, da divulgação, da distribuição (com vendas especialmente pela internet) e do retorno financeiro pelos livros vendidos.

Médico, Inoue mudou de profissão e se tornou escritor nos anos 1980. Ele começou a publicar livros de bolso para leitura rápida, com títulos de westerns e pequenos romances históricos vendidos em bancas de revistas. A necessidade de ter uma renda fixa com este trabalho fez com que desenvolvesse técnica para escrever rápido e conseguir publicar muitas obras (até 12 livros por semana), o que o fez alcançar a marca de recordista mundial. Mais recentemente, ele se tornou autor de obras maiores, como “Saga” (Ed. Globo) e “Fruto do Ventre” (Record), mas não ficou satisfeito com a relação com as editoras.

“As editoras grandes, ditas convencionais, estão preocupadas em investir só em autores de retorno certo. Um principiante dificilmente encontra um lugar ao sol”, disse. Segundo ele, a dificuldade em conseguir falar com os editores é outro motivo que o faz escolher e incentivar a publicação independente. “É mais fácil uma boa relação com uma editora pequena do que com uma grande.”

Além de lançar os livros que ele escreve, a produtora de Inoue passou a investir em lançar livros de outros escritores novos, oferecendo serviços de consultoria, edição e impressão de trabalhos independentes. Segundo ele, publicar por grandes grupos editorias só é vantajoso “se o autor considera como real vantagem a vitrine de livrarias, sim. Mas não é o acontece, na realidade”, disse.

Ele alega ainda que os escritores devem assumir o papel de principais divulgadores e vendedores dos seus próprios livros de forma independente. “Um dentista, para poder trabalhar, tem de investir em seu consultório. Um escritor tem de investir em seu próprio trabalho. Esperar que apareça uma editora que invista em sua obra é bastante utópico.”

Independência total

Um processo semelhante foi seguido pelo professor, jornalista e escritor pernambucano Álvaro Filho. Autor de quatro livros, ele sempre fez todo o trabalho de redação, edição e publicação de forma independente, sem passar por editoras grandes ou pequenas. “Não tive paciência de procurar”, disse, em entrevista ao G1.

Seu projeto mais recente, “Jornalismo para iniciantes”, foi lançado no ano passado. Trata-se de uma ficção que aborda os princípios do trabalho jornalístico. “O livro foi todo concebido por mim, desde o texto, a capa, o contrato com o fotógrafo, o designer para a capa, eu que organizei tudo”, contou. A obra foi impressa em uma gráfica do Recife que garante a inscrição de número de série do livro e do código de barra.

A tiragem inicial foi de mil exemplares, e o custo total foi de R$ 3 mil. Para ele, publicar o livro de forma independente dá mais trabalho, deixa sua casa bagunçada e cheia de caixas, mas “financeiramente, não faz muita diferença, pois quem publica por grandes editoras também não ganha muito dinheiro”, disse. Segundo Álvaro Filho, por mais que o dinheiro não seja o objetivo final da publicação, é um investimento que “sempre se paga”. Ele calcula ter vendido cerca de 500 exemplares por preços em torno de R$ 15, cada (um retorno total de R$ 7.500).


Mercados diferentes

Para Leonardo Simmer, o sócio fundador da editora Multifoco, a vantagem da publicação independente é que ela apela a um mercado diferente do das grandes editoras. Apesar de menor e mais segmentado, este mercado é grande e absorve bem novos escritores. “Edições independentes são interessantes para autores que vendam até 100 ou 200 livros, que as grandes não fazem”, disse, em entrevista ao G1.

A Multifoco é uma editora especializada em publicações de impressões limitadas, ajudando a lançar no mercado esses autores independentes. Enquanto as editoras tradicionais fazem tiragens de no mínimo 3 mil exemplares, mesmo que a vendagem fique em torno de 500, a Multifoco chega a editar livros que vendem apenas 30 exemplares. “Trabalhamos com grande liquidez. Com R$ 16 mil, fazemos 30 títulos diferentes de pequenas tiragens”, explicou. Assim, disse, eles diminuem o risco de perder dinheiro com o lançamento e ainda têm retorno mais rápido de que as editoras que apostam em um único título.

Segundo ele, os projetos chegam pelo e-mail da editora e os autores recebem um retorno em até duas semanas. “É uma avaliação superficial, mas conseguimos ver o que nos interessa. Se gostamos, bancamos a publicação”, disse. “Não custa nada para o autor e ainda fazemos um trabalho profissional de edição, diagramação e distribuição”, disse.
Segundo Simmer, a editora lança uma média de 40 títulos novos por mês, buscando segmentar as publicações em selos variados. “Fazemos uma seleção. Queremos publicar trabalhos feitos com seriedade e bem apresentados, mas não temos critérios tão rigorosos quanto as editoras grandes”, explicou. Segundo ele, a editora também aceita prestar serviços de diagramação e impressão para obras completamente independentes.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

AO IG, DOIS PILARES DA LITERATURA MARGINAL NO BRASIL DIZEM COMO COMBATEM VIOLÊNCIA E IGNORÂNCIA COM SARAUS NAS PERIFERIAS


O poeta e escritor Sergio Vaz comemora 15 anos de fundação do Quilombo Cultural Cooperifa, que contamina de poesia o Jardim São Luiz, no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. Os encontros, sempre às quartas-feiras no bar do Zé Batidão, começaram com 17 pessoas e, atualmente, recebem um público de 300 a 500 pessoas por evento. “O maior orgulho de fazer 15 anos de Cooperifa não é a conquista de novos poetas, mas, sim, de novos leitores”, diz Sergio Vaz ao iG.

Ano após ano, jovens escritores se lançam no mercado a partir dos encontros, como é o caso de Márcio Vidal, que já lançou dois livros, "Receitas Para Amar No Século XXI" e "A Vida Em Três Tempos". "Cheguei ao sarau da Cooperifa em 2004 com meus poemas e o desejo de que alguém pudesse ler as coisas que escrevia. Seis anos depois, terminava a faculdade de Letras e lançava meu primeiro livro. O modo com que a Cooperifa entrou em minha vida fez com que eu pudesse correr atrás dos meus sonhos e isso que tenho buscado fazer: sonhar sem ficar parado", declara Marcio, que atualmente é mestrando em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo – USP.

Dados preocupantes

Desenvolver a habilidade leitora na criança e principalmente no adolescente é um grande desafio entre os objetivos da educação básica. Mais difícil é transformá-los em leitores críticos e convencê-los do prazer da leitura. Se o índice de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano, como aponta a última pesquisa do instituto Pró-Livro, quando excluímos as obras indicadas pela escola podemos constatar que o jovem, em média, lê pouco mais de um livro por ano. É menos que na Colômbia, segundo dados do órgão colombiano Cerlalc, que apontam para 2,2, e muito menos que os espanhóis, que leem 10,3 obras no mesmo período.

Para tentar transformar essa realidade, Sergio também trabalha dentro das escolas com seus sete livros publicados, entre eles o "Colecionador de Pedras", que marca uma fase onde a periferia grita “temos muito o que dizer”, “somos poetas”, “somos a poesia". O projeto “Poesia contra violência” surgiu para percorrer as escolas públicas do Brasil levando poesia. “O melhor de ir até a escola é que o publico esta lá, esperando para ser conquistado, temos o retorno imediato e a criação de público esperada e o mais importante, despertamos corações para o fato de que todos podem fazer poesia. É a satisfação de ouvir na rua: Obrigado poeta, por ter ido à minha escola”, lembra Vaz.

“A visita às escolas é o trabalho mais gratificante a meu ver. Quando chegamos lá os alunos pensam: Opa, não vai ter aula! Na cabeça dele, ele não está tendo aula, mas talvez seja a melhor aula que ele vai ter no dia. É subliminar, não podemos rejeitar isso, é maravilhoso! Quando vejo alguém falar mal de professor, não concordo porque ele é reflexo do péssimo sistema de ensino do Estado. Não podemos falar mal do professor e dizer que tudo que está acontecendo é culpa do professor, o fato é que a criança não está sendo educada porque o Estado não quer que eduque. Para dar aula à noite na quebrada tem que ser macho. A gente tem que aprender a bater em quem realmente precisa apanhar”, completa.

Ferréz


Outro expoente do movimento cultural no Capão Redondo é o escritor Ferréz, que publicou seu primeiro livro em 1997, "Fortaleza da Desilusão", e seguiu dois anos depois com "Capão Pecado, história verdadeira da comunidade do Capão Redondo", que o projetou como um dos mais importantes escritores da Literatura periférica ou marginal do país.

Ferréz também criou a marca 1daSul, a antigrife que, além de ser uma marca de roupas e acessórios criada especialmente para os moradores da periferia, promove eventos e ações culturais na região do Capão Redondo, bairro onde mora. Ao perceber a quantidade de crianças que ficavam ociosas pelas ruas do bairro, Ferréz fundou há cinco anos Ong Interferência, que atualmente atende 65 crianças e adolescentes no contraturno escolar com atividades que trabalham a autonomia mirando o protagonismo social. “Vendo tantas crianças na porta dos bares na minha quebrada, sempre tive vontade de mudar o jogo. Hoje, o lugar se chama Interferência, onde cada criança entra, estuda, pinta, sorri, e depois ela mesma limpa para a próxima: é meu maior projeto como ser humano. Quando alguém vem me agradecer por estar fazendo isso, eu sinceramente não entendo, pois sou eu que estou recebendo abraços e sorrisos todos os dias, e isso é o maior pagamento do mundo”, relata Ferréz ao iG, sobre a ação social que desenvolve em sua comunidade.

Exemplo de vitória


Desse trabalho, o escritor viu surgirem novos nomes da cultura local, como Wagnão, que comanda atualmente o Sarau da Brasa, e Akins Kintê, do Sarau Elo da Corrente. “Vou à escola e os alunos querem me ver por carência, escutar uma pessoa que até deu certo na vida, usar a experiência de vida e dizer: 'nós vencemos sem entrar no crime'. Isso, para um moleque de 15 anos, é foda. Às vezes, ele não ouve isso do pai dele, que está trabalhando 24h por dia, chega estressado e ganha mil reais por mês. Não é o exemplo que ele quer ter. Ele quer um exemplo de vitória através da educação, da música, da arte, mas que seja mais longevo que isso, mais longevo que a família", diz.