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segunda-feira, 23 de maio de 2016

DIREITOS AUTORAIS E ESTILO POÉTICO

Fui questionado por um amigo no Facebook sobre algumas questões e acho pertinente publicá-las aqui - com algumas complementações - para que as pessoas saibam a minha posição em relação a certas ideias referente aos direitos autorais e meu estilo poético.


Olá! Cara, eu queria saber duas coisas tuas:

1) vc se preocupa com a questão dos direitos autorias? Tipo, vc publica seus escritos no Face e talz. Não teme ser "roubado"?

Cara, não me preocupo muito com direitos autorais. Acho que a arte deve ser assim: livre.

Penso que um poeta que se preze não roubaria um poema de outro e colocaria como sendo de sua autoria... E também uma pessoa que se preze deve procurar sempre citar o autor, quando compartilhar um escrito ou pensamento do mesmo.

Vai da consciência de cada um.

Se eu parasse para ficar fiscalizando se minha poesia está sendo plagiada, perderia o meu valioso tempo, que poderia estar sendo empregado na criação de novos poemas, de forma original, autêntica e, principalmente, sincera.


2) diante de uma pergunta sobre estilo, rótulos, vc se apresentaria como um poeta concretista ou acha que este título acaba limitando muito  sua obra?

Eu sou tudo, mano... hahaha

Tem uma frase de uma escritora (Katherine Mansfield) que diz assim: Eu quero ser tudo que sou capaz de me tornar.

Esta citação (in)define a minha escrita poética... Pois, se você olhar, abordo várias vertentes, e, às vezes, até combino elas... Como nos casos dos meus haicais/sonetos visuais.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

SOCRASTICKER #114

"O conhecimento como tal não pertence a ninguém. Qualquer conhecimento vem de outros conhecimentos anteriores e é uma cópia em maior ou menor grau de outras ideias. Portanto, limitar a cópia não faz sentido e faz mais difícil a geração de novos conhecimentos. A função principal da geração de conhecimento é a de melhorar a sociedade e, portanto, deve chegar ao máximo número de pessoas possível. Banir a sua reprodução significa bloquear o acesso e discriminar aqueles que por uma ou outra razão não podem ter acesso a ele."

segunda-feira, 8 de junho de 2015

GUERILLA OPEN ACCESS MANIFESTO


“Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.

Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.

Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável.

“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.

Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo.  E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.

Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.

Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.

Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.

Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.

Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access.

Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?

Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.