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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

COMUNICADO

Criei este blog com o intuito de compartilhar os meus escritos e os meus zines, no entanto, de um tempo para cá, o conteúdo tem se tornado muito diversificado e acabou fugindo um pouco da proposta inicial. Logo, informo que, a partir de agora, farei as publicações dos meus versos e sobre os mais variados assuntos no meu novo blog.

P.S.: Não desativarei o ZINE PROTESTIZANDO, pois existe muito conteúdo dele circulando pela rede. Apenas exportarei todo seu conteúdo para o POLYMATUS, o qual seguirei alimentando.

POLYMATUS - Daniel Brito > http://daniel-brito.blogspot.com.br/

quinta-feira, 30 de junho de 2016

GRAMÁTICA DA NEUTRALIDADE

Recentemente, observamos uma onda, principalmente em blogs, de uma mudança lingüística nas estruturas das palavras que exprimem uma posição de gênero feminino/masculino nas frases. Mas que problemas essa transformação gramatical pode ocasionar? Ela surte um efeito que realmente abala os sistemas de sexo/gênero? Assim, questionamos nesse texto a legitimidade nessa empreitada em prejudicar as marcas de gênero nas palavras e, consequentemente, frases.

Como pronunciar os resíduos linguísticos provocados por essa "gramática da neutralidade"?

Com o pressuposto de dar neutralidade sobre uma posição de um gênero aos textos, o uso de “@” e “x” são usados, assim, por exemplo, a frase “todos devem ser contemplados pelo direito a igualdade” é rescrita como “tod@s devem ser contemplado@s pelo direito a igualdade”/“todxs devem ser contempladoxs pelo direito a igualdade”. O uso pode causar uma mudança gramatical, alcançado, em um primeiro instante, a neutralidade pretendida, isto é, do ponto de vista estético da frase, da escrita, mas a leitura se torna impossível. Além disso, em frases como “seus professor@s/professorxs”, a concordância entre “seus” e “professores” parece inquebrável, logo, pelo primeiro momento, a neutralidade gramatical não é possível nesse caso, uma vez que “seus” denota já o gênero masculino na frase e, supondo, que pelo contrário a frase fosse “suas professor@s/professorxs”, o mesmo acontece, dado que “suas” denota uma posição de gênero masculino. “Seus” e “suas” se tornam, portanto, impossíveis de serem reescritos (até o momento), nessa nova forma de tentar neutralizar as frases e mesmo que “seu(s)/sua(s) e meu(s)/minha(s)” fossem rescritos como “s@u(s)/su@(s) – m@u(s)/minh@s” ou empregando o “x”, “seu, seus, meu, minhas” não desfazem as marcas de gênero. Já na frase “el@s/elxs são pesquisador@s/pesquisadorxs dos estudos de gênero”, o efeito gramatical de escrita surte o efeito pretendido, mas já na frase “meu companheir@ é machista”, implica na dedução de que estamos falando de um companheiro, no sentido do gênero linguístico masculino, uma vez que “meu”, e também caso fosse o emprego de “minha”, fogem da neutralidade.

Para casos como os pronomes "meu(s)/seu(s) - minha(s)/sua(s), mesmo que fosse pensada uma substituição por "@" ou "x", ainda essa substituição não desfaz as marcas de gênero de substantivos que fazem concordância com eles, uma vez que rescrita nessa nova proposta, os símbolos não ocultam a posição masculina/feminina desses pronomes e, portanto, da frase.

As discussões em torno do uso desses símbolos são bastante divergentes, mas, do ponto de vista de Beatriz Preciado em Manifiesto contra-sexual: prácticas de subversivas de identidad sexual (2002), mesmo que essas novas propostas consigam, esteticamente, erradicar marcas de gênero em substantivos, adjetivos, pronomes, desfazer os traços em que se torna possível reinscrever posições masculinas e femininas, a questão não é privilegiar uma marca linguística, nesse caso neutra, para provocar uma transformação social. Do ponto de vista contra-sexual, quando a autora afirma que o corpo é um texto socialmente construído e o sistema de sexo/gênero é um sistema de escritura, não está propondo intervenções que se reduziriam ao campo das variações da linguagem, para ela, mesmo que seja desempenhada uma escritura da neutralidade com pronomes neutros e demais variações, o que temos que colocar em evidência e abalar são as tecnologias da escritura do sexo e gênero, bem como suas instituições. 

Preciado (2002, p. 23-24, tradução minha) escreve: “Não se trata de substituir alguns termos por outros. Não se trata tampouco de desfazer das marcas de gênero ou das referencias a heterossexualidade, mas sim de modificar as posições de enunciação”. Dessa forma, por exemplo, quando pensamos no próprio termo “queer” que antes era pronunciado para indicar pessoas que rompiam com normas de gênero, sexualidade, um insulto de um “normal” em relação a um “perverso”, os corpos abjetos, o termo é descontextualizado e se torna campo de luta dos próprios “queers” que conseguem inverter a enunciação hegemônica. Também, mais significativo do que esta troca gramatical, seria, segundo a autora, a percepção de frases performativas como “é um menino/é uma menina” pronunciada no nascimento ou através da ecografia, que já forma tratadas em outro texto, tratando de evocações performativas, também o “sim, aceito” na hora do matrimônio; para Preciado, essas evocações performativas tratam-se de fragmentos linguísticos que estão historicamente carregados do poder de investir um corpo como masculino ou feminino, bem como segregar corpos que ameaçam a coerência da lógica de sexo/gênero, catalogá-los, chegando ao ponto de submetê-los a processos cirúrgicos da “cosmética sexual”. 

Enfim, em todo caso, mesmo que uma teoria da pronúncia seja colocada em marcha para a leitura dos “@” e “x” (e similares), temos que questionar que se por um lado eles reduzem as palavras a resíduos linguísticos, por outro lado, o que temos que atacar realmente são as tecnologias da escritura do sexo e do gênero, as instituições que fazem essas escrituras possíveis, bem como o corpo que é socialmente escrito, o arquivo orgânico da historia da humanidade de produção e reprodução sexual.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

GUERILLA OPEN ACCESS MANIFESTO


“Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.

Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.

Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável.

“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.

Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo.  E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.

Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.

Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.

Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.

Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.

Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilla Open Access.

Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?

Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.


terça-feira, 30 de setembro de 2014

PLANO-PILOTO PARA POESIA CONCRETA

Plano-Piloto para Poesia Concreta
Augusto de Campos, Décio Pignatari
e Haroldo de Campos
Noigrandes, 4, São Paulo, 1958

poesia concreta: produto de uma evolução crítica de formas dando por encerrado o ciclo histórico do verso (unidade rítmico-formal), a poesia concreta começa por tomar conhecimento do espaço gráfico como agente estrutura. espaço qualificado: estrutura espácio-temporal, em vez de desenvolvimento meramente temporístico-linear, daí a importância da idéia de ideograma, desde o seu sentido geral de sintaxe espacial ou visual, até o seu sentido específico (fenollosa/pound) de método de compor baseado na justaposição direta – analógica, não lógico-discursiva – de elementos. “il faut que notre intelligence s’habitue à comprendre synthético-ideographiquement au lieu de anlytico-discursivement” (apollinaire). eisenstein: ideograma e montagem.

precursores: mallarmé (un coup de dés, 1897): o primeiro salto qualitativo: “subdivisions prismatiques de l’idée”; espaço (“blancs”) e recursos tipográficos como elementos substantivos da composição. pound (the cantos):método ideogrâmico. joyce (Ulysses e finnegans wake): palavra-ideograma; interpenetração orgânica de tempo e espaço. cummings: atomização de palavras, tipografia fisiognômica; valorização expressionista do espaço. apollinaire (calligrammes): como visão, mais do que como realização. futurismo, dadaísmo: contribuições para a vida do problema. no/brasil:/oswald de andrade (1890-1954): “em comprimidos, minutos de poesia”./joão/cabral de melo neto (n. 1920 – o engenheiro e psicologia da composição mais anti-ode): linguagem direta, economia e arquitetura funcional do verso.

poesia concreta: tensão de palavras-coisas no espaço-tempo. estrutura dinâmica: multiplicidade de movimentos concomitantes. também na música – por definição, uma arte do tempo – intervém o espaço (webern e seus seguidores: boulez e stockhausen; música concreta e eletrônica); nas artes visuais – espaciais, por definição – intervém o tempo (mondrian e a série boogie-wogie; max bill; albers e a ambivalência perceptiva; arte concreta, em geral).

ideograma: apelo à comunicação não-verbal. o poema concreto comunica a sua própria estrutura: estrutura-conteúdo. o poema concreto é um objeto em e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas. seu material: a palavra (som, forma visual, carga semântica). seu problema: um problema de funções-relações desse material. fatores de proximidade e semelhança, psicologia da gestalt. ritmo: força relacional. o poema concreto,usando o sistema fonético (dígitos) e uma sintaxe analógica, cria uma área lingüística específica – “verbivocovisual” – que participa das vantagens da comunicação não-verbal,s em abdicar das virtualidades da palavra. com o poema concreto ocorre o fenômeno da metacomunicação; coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal, coma nota de que se trata de uma comunicação de formas, de uma estrutura-conteúdo, não da usual comunicação de mensagens.

a poesia concreta visa ao mínimo múltiplo comum da linguagem, daí a sua tendência à substantivação e à verbificação: “a moeda concreta da fala” (sapir). daí suas afinidades com as chamadas “línguas isolantes” (chinês): “quanto menos gramática exterior possui a língua chinesa, tanto mais gramática interior lhe é inerente (humboldt via cassirer). o chinês oferece um exemplo de sintaxe puramente relacional baseada exclusivamente na ordem das palavras (ver fenollosa, sapir e cassirer).

ao conflito de fundo-e-forma em busca de identificação,chamamos de isomorfismo. paralelamente ao isomorfismo fundo-forma, se desenvolve o isomorfismo espaço-tempo, que gera o movimento. o isomorfismo,num primeiro momento da pragmática poética, concreta, tendo à fisiognomia, a um movimento imitativo do real (motion); predomina a forma orgânica e a fenomenologia da composição. num estágio mais avançado, o isomorfismo tende a resolver-se em puro movimento estrutural (movement); nesta fase, predomina a forma geométrica e a matemática da composição (racionalismo sensível).

renunciando à disputa do “absoluto”, a poesia concreta permanece no campo magnético do relativo perene. cronomicrometragem do acaso. controle. cibernética. o poema como um mecanismo, regulando-se a próprio: “feed-back”. a comunicação mais rápida (implícito um problema de funcionalidade e de estrutura) confere ao poema um valor positivo e guia a sua própria confecção.

poesia concreta: uma responsabilidade integral perante a linguagem. realismo total. contra uma poesia de expressão, subjetiva e hedonística. criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível. uma arte geral da palavra. o poema-produto: objeto útil.

augusto de campos
décio pignatari
haroldo de campos

post-scriptum 1961: “sem forma revolucionária não há arte revolucionária” (maiacóvski).

domingo, 28 de setembro de 2014

DA POESIA CONCRETA

Poesia concreta é um tipo de poesia vanguardista, de caráter experimental, basicamente visual, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço do seu suporte, sendo ele a página de um livro ou não, buscando a superação do verso como unidade rítmico-formal.

Surgiu com o Concretismo, fase literária voltada para a valorização e incorporação dos aspectos geométricos à arte (música, poesia, artes pláticas). 

Em 1952, a poesia concreta tem seu marco inicial através da publicação da revista “Noigandres”, fundada por três poetas: Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos. 

Contudo, é em 1956, com a Exposição Nacional de Arte Concreta em São Paulo, que a poesia concreta se consolida como uma nova e inusitada vertente da literatura brasileira. 

O poema do Concretismo tem como característica primordial o uso das disponibilidades gráficas que as palavras possuem sem preocupações com a estética tradicional de começo, meio e fim e, por este motivo, é chamado de poema-objeto. 

Outros atributos que podemos apontar deste tipo de poesia são: 

- a eliminação do verso; 
- o aproveitamento do espaço em branco da página para disposição das palavras; 
- a exploração dos aspectos sonoros, visuais e semânticos dos vocábulos; 
- o uso de neologismos e termos estrangeiros; 
- decomposição das palavras; 
- possibilidades de múltiplas leituras.



POEMAS CONCRETOS / POEMAS-OBJETO

Autor: Eduardo Marinho

Autor: Amir Brito Cadôr

Autor: Augusto de Campos

Autor: Pedro Xisto

Autor: Anatol Knotek

Autor: Augusto de Campos

Autor: Arnaldo Antunes

Autor: Augusto de Campos

Autor: E. M. de Melo e Castro



Autor: Anatol Knotek













segunda-feira, 24 de março de 2014

O QUE É COPYLEFT?

Copyleft é a melhor maneira de obter lucros na publicação de conteúdos quando o autor não é tão conhecido como para obter as receber vantagens do copyright fechado.

O copyleft é um tipo de licença para documentos que permite a sua reprodução livre e, ao mesmo tempo, garante ao autor o reconhecimento e prestígio da sua realização. Este tipo de liberdade na reprodução permite uma difusão tipo "vírus" do documento e consegue abranger um maior número de leitores.

O que é copyleft?
A Free Documentation License (GFDL) ou copyleft forma parte do movimento GNU (Linux, Mozilla...). Apesar de inicialmente ter surgido para ser aplicada à documentação do software livre, pode ser também aplicável a qualquer documento escrito, um livro, um artigo, etc.

Qual o objeto desta licença?
Simples: A máxima difusão dos textos permitindo a livre reprodução. Estabelecer claramente o autor original do texto. Evitar que um conteúdo copyleft seja transferido para copyright fechado.

Vantagens do copyleft.
Só uma minoria de autores conseguem ter um sucesso tão grande que permita tirar vantagens de um copyright fechado. O resto de autores conseguem viver do prestigio que dão as suas obras e que lhes permite realizar conferências, cursos, escrever em jornais...

Isto quer dizer que para a grande maioria de autores, aquilo que é realmente importante para aumentar o seu prestigio é que a sua obra chegue ao máximo número de leitores. Para um autor pouco conhecido o copyright supõe uma barreira para chegar até o público. Nesta situação o copyright fechado só consegue ser um problema e o copyleft uma vantagem.

Funcionamento do copyleft

Autor:
O copyleft obriga a deixar bem claro no documento reproduzido o autor original, quer colocando o seu nome nalgum lugar, quer inserindo o nome na capa do documento, conforme a importância da reprodução ou o número de cópias realizadas.

Modificações no documento original:
No caso de serem realizadas modificações no documento original o copyleft especifica que deve ficar bem perceptível qual o conteúdo original e quais as modificações realizadas por um segundo autor.

Conteúdos copyleft não podem ser convertidos em conteúdos copyright:
A licença do copyleft também tenta evitar que uma terceira pessoa tente aplicar um copyright fechado a conteúdos que provavelmente têm sido copyleft, isto é, os conteúdos livres sempre vão ter este status.

Um documento criado a partir das modificações de outro documento com copyleft deve manter a licença copyleft.

Livre não é a mesma coisa que grátis:
O facto de um texto ser copyleft não quer dizer que seja grátis. Se pode receber dinheiro por conteúdos copyleft e pode fazê-lo não só o autor original como também outra pessoa. O copyleft simplesmente trata de estabelecer a liberdade de reprodução do conteúdo. Por outras palavras, se pode vender um documento copyleft, mas quem compra o documento pode copiá-lo à vontade.

Detectar violações da licença:
Alguém pode violar a licença tentando mostrar ser o autor de conteúdos copyleft, reproduzindo um artigo sem dizer o nome do autor original. Esta violação á fácil de detectar pois se o falso autor obtiver prestígio e notoriedade será logo caçado. Se não o obtiver, mesmo que não seja caçado, não será motivo de dores de cabeça.

Aspectos legais:
Na realidade, o copyleft é um tipo de copyright, mas a principal diferença do usual copyright fechado é que é aberto e permite a livre reprodução com algumas condições. Por esta razão para um texto seja copyleft deve ter anexo o texto seguinte:

Copyright. Nome do autor. Ano
"Permission is granted to copy, distribute and/or modify this document under the terms of the GNU Free documentation License, Version 1.2 or any later version published by the Free Software Foundation. A copy of the license is included in the section entitled "GNU Free Documentation License"

No site alzado.org optaram por um texto muito mais claro e simples que evita a palavra copyright para não provocar confusões.

Copyleft. Alzado 2003
"Permitida la reproducción citando al autor e incluyendo un enlace al artículo origina" (texto original em castelhano). Copyleft tem documentação legal que explica o seu funcionamento e o seu sistema para denunciar violações. Documentação legal do copyleft em inglês (a única com valor legal). Um caso real: copyleft em alzado.org

O copyleft tem permitido que a presença dos artigos de alzado.org na Internet não se limite ao seu site. Ao menos 15 sites reproduzem artigos de alzado.org, incrementando o público ao qual chegam os seus autores.

O copyleft também tem permitido que alguns artigos se incorporem facilmente como material de cursos nas universidades, intranets de empresas privadas ou outras instituições.

Alguns artigos de alzado.org tem sido traduzidos ao português (o meu caso), catalão e o euskera (lingua do pais basco). O copyleft facilita as traduções visto que não é necessário pagar direitos de autor. A tradução, além de aumentar o público, facilita a presença na internet de línguas minoritárias.

Além de isto tudo, dado que não se realiza ato ilegal nenhum, aqueles que reproduzem conteúdos costumam pedir permiso (apesar de não ser necessário). Isto permite a alzado.org estar informado da repercussão de cada artigo.

A filosofia por detrás do copyleft
A filosofia do copyleft pode parecer idealista no contexto atual dominado pelos copyrights fechados. No entanto, estar ou não de acordo com esta filosofia, não supõe travão nenhum para perceber de forma clara as suas vantagens práticas, quer estratégicas quer comerciais.

A ideia por detrás do copyleft é que o conhecimento como tal não pertence a ninguém. Qualquer conhecimento vem de outros conhecimentos anteriores e é uma cópia em maior ou menor grau de outras ideias. Portanto, limitar a cópia não faz sentido e faz mais difícil a geração de novos conhecimentos.

A função principal da geração de conhecimento é a de melhorar a sociedade e, portanto deve chegar ao máximo número de pessoas possível. Banir a sua reprodução significa bloquear o acesso e discriminar àqueles que por uma ou outra razão não podem aceder a ele.

Existem outras formas de obter lucros diferentes no copyright fechado e, de facto, a maioria dos autores quase sempre obtêm os seus verdadeiros lucros de outras fontes. Os únicos que realmente ganham com esta licença são os autores famosos e aqueles intermediários: as editoriais.

No formato papel, as editoriais têm a sua função porque o autor necessita da sua infraestrutura para difundir as suas obras. No entanto, no meio digital, e sobre tudo na Internet, um autor pode distribuir a sua obra sem necessidade de intermediários. Por isso, por um lado o sistema de distribuição das editoriais e por outro, o elemento em que baseiam-se os seus lucros, o copyright fechado, ficam comprometidos.

A facilidade de cópia nos meios digitais faz inútil o copyright fechado. Continuamente realizam-se violações da licença e cópias sem autorização. Dever ser assumido que resulta impossível evitá-lo e apostar por outro tipo de estratégias.

Na realidade, a cópia não autorizada prejudica mais aos pequenos autores, não tanto pelos lucros diretos que se possam obter, porque costumam vender pouco, senão porque dificulta que tenham prestígio, sendo esta a via real de ganhos. Aos grandes autores, as cópias feitas sem autorização podem fazer com que ganhem menos dinheiro, mas isto não lhes afecta como poderia afectar aos pequenos autores.

Em jeito de conclusão, se és um autor sem fãs, se ninguém te pede um autógrafo, usa copyleft, ganhas mais.